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E o Amor venceu


Para o povo hebreu a Páscoa marca sua libertação da escravidão no Egito. Para os cristãos ela é a celebração da ressurreição do Cristo, e é este evento que comemoramos no mundo ocidental, mas geralmente, não nos perguntamos de que maneira a data desta festa é estipulada. Houve um tempo em que a humanidade prestava maior atenção aos movimentos celestes, especialmente marcados pela Natureza, cada estação do ano era respeitada e celebrada e cada uma delas nos conta uma história, elas falam dos ciclos naturais da vida. A primavera nos conta sobre nascimento e infância, o verão traz em si a paixão da adolescência, o outono nos explica sobre a força da maturidade adulta, e o inverno nos ensina que tudo deve envelhecer e morrer para que renasça de novo na primavera. Quando foi instituída a data da Páscoa pelo Papa Gregório XIII, o ritual de primavera era especialmente celebrado por aqueles que hoje são chamados pagãos, pois representava o retorno do sol, da vegetação, das cores, da abundância. Após os meses frios e escassos do inverno, a vida voltava a nascer, e foi este o evento escolhido pela Igreja para que a ressureição do Cristo fosse lembrada, e é aí que entra a Astrologia. A Páscoa acontece sempre no primeiro domingo da Lua Cheia após a entrada do signo de Áries, no dia 21 de março, ou seja, no equinócio de primavera do hemisfério norte. Assim, contamos 40 dias para trás e delimitamos a data do carnaval, e consequentemente, da quaresma - Moisés levou 40 anos para conduzir o povo hebreu à terra prometida, Jesus passou 40 dias no deserto para se preparar para assumir sua missão divina, e todos os anos cada um de nós é convidado a entrar em si mesmo neste período de quaresma, não para nos purificarmos de nossos pecados, mas sim para entramos em contato com a natureza de nossos próprios ciclos pessoais e reavaliarmos o que em nós ainda é infância e precisa ser vivido com pureza, o que em nós é adolescência e deve ser experimentado com intensidade, o que em nós é maturidade e deve ser distribuído com responsabilidade, e finalmente, o que em nós deve morrer, pois já envelheceu e nem nos demos conta. Nós que vivemos no hemisfério sul estaremos entrando no outono, mas ainda assim sobre a influência do signo de Áries, que de maneira poética, para esta astróloga que vos escreve, é a representação do sêmen (ou semente) do Divino, pois contem em si todas as possibilidades que estão por surgir, por isso este é um signo de criatividade e coragem, que nos permite escolher fazer diferente cada vez que sua energia nos toca, e no final do mês de abril receberemos o signo de touro, aquele óvulo sempre pronto a ser fecundado pela semente ariana, que nos impele a materializar o novo ser que escolhemos ser. A palavra páscoa significa “Passagem”, aquele ponto onde inspiração vira expiração, o intervalo em que o passado se transforma em presente, o ponto neutro onde o frio se torna calor, onde o silêncio se faz música, e onde a Natureza se fantasia de 4 estações. A Páscoa nos permite lembrar que o Amor venceu a Morte, e assim nós recebemos uma nova chance de tornarmos mais humanos.

©2020 by Fernanda Zannin.