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Sol entra em Escorpião


Conta um mito milenar que o semideus Hércules teve que passar por doze grandes provas para aprender sobre sua natureza divina através de cada signo do zodíaco, e na oitava prova ele foi obrigado a enfrentar um monstro de nove cabeças, que ainda por cima tinha uma décima grande cabeça central que era imortal. Pensam que acabou? Não! Cada vez que ele tentava cortar uma das cabeças, duas outras cresciam em seu lugar, e o herói consegue vencer o monstro no momento em que se ajoelha perante ele e o tira do solo elevando-o à luz. Talvez hoje não nos sintamos tão heroicos, pois já não encontramos bestas e dragões por aí, mas seguramente enfrentamos monstros enfurecidos todos os dias. O grande ponto da questão é a tal cabeça imortal, ela representa a realidade da Morte, e todas as outras cabeças nascem dela. É no momento em que descobrimos que um dia morreremos que nos tornamos diferentes de todos os outros reinos da natureza, nos reconhecemos humanos, e passamos a nos sentir ameaçados pelo Tempo, mas é neste mesmo momento que percebemos que tudo, absolutamente tudo, o que foi criado está a nossa disposição. Então, o que acontece? Nos percebemos nus e nos envergonhamos, e criamos regras que nos dizem o que podemos ou não utilizar de tudo o que nos foi oferecido. Nasce o Profano e o Sagrado, e com eles surgem as nove cabeças da besta, a sexualidade que diz para a morte que nunca nos vencerá pois podemos nos perpetuar através da procriação, o dinheiro que nos garante a ilusão de podermos ganhar mais tempo, o controle que nos leva a manipular o outro, o orgulho que não permite discernimento, a separatividade que nos coloca na solidão das grandes certezas, a desconfiança que não permite enxergar inocência , a ambição que nos faz insatisfeitos, o ódio que nos torna amargos, e o medo da luz própria, que nos faz pararmos nas mágoas do passado para não termos que assumir responsabilidades sobre nossos talentos. Olhando assim, parece que tudo é profano, tudo gera dor, mas esta astróloga ousaria dizer que só é profano aquilo que não é feito com Amor, portanto, ajoelhemos diante da besta e reconheçamos que com ela precisamos aprender. Ama tua sexualidade que te ensina sobre o prazer de saber-se humano, honra o dinheiro que produz através do trabalho que te faz sentir vivo, controla teus pensamentos e palavras para que sejam mensageiros de tua verdade, orgulha-te de teus talentos, oferece teus ouvidos aos lábios do próximo, confia no bem que em ti habita, ambiciona conhecer-te a ti mesmo, come um brigadeiro e adoça-te, brinca!, e por fim responsabiliza-te por doar ao mundo aquilo que é único em ti. Será que conseguimos fazê-lo? As vezes sim, as vezes não, mas Escorpião nos estimula a tentar, pois até o fim lutaremos para que a última palavra não seja da Morte, pois o grande temor não é de morrer, mas sim de chegarmos ao fim sem termos realmente vivido.

©2020 by Fernanda Zannin.